Auditoria de SEO Técnico é o processo de analisar a estrutura do site para garantir que ele esteja otimizado para os mecanismos de busca.
Para contextualizar ainda mais, é importante entender a diferença entre o SEO Técnico, on-page e Off-page.
- SEO On-page: foca em palavras-chave, heading tags (H1 à H6), meta description, otimização de imagem com alt-text, qualidade do conteúdo da página.
- SEO Off-page: envolve ações realizadas fora do site como backlinks, menções à marca, sinais sociais.
- SEO Técnico: foca em garantir que os robôs dos motores de busca consigam encontrar, ler e indexar as páginas do site sem problemas.
As três frentes do SEO são importantes, mas quando sites que já possuem autoridade e um bom conteúdo deixam de performar bem é provável que o problema seja técnico podendo impactar a indexação, rastreabilidade e até mesmo a experiência do usuário.
O que é auditoria de SEO técnico e sua importância?
Não deixe para fazer uma auditoria de SEO somente quando o site estiver fora do ar.
Grave essa frase:O melhor momento para se descobrir um problema no site, é quando ele ainda é pequeno.
A frequência ideal varia de acordo com a complexidade do site e o número de páginas.
Por exemplo, um pequeno site de 5 páginas, não precisa de auditorias mensais, talvez uma auditoria a cada 3 ou 6 meses seja suficiente.
Mas um blog wordpress com centenas de artigos ou um grande portal, auditorias mensais são necessárias.
E para lojas virtuais, e-commerces, auditorias semanais ou contínuas é o ideal, devido ao alto número de entradas e saídas de produtos e promoções.
Fazendo com que um erro técnico como links quebrados possa atrapalhar as vendas em poucas horas.
No meu dia a dia, eu divido em dois tipos de auditorias:
- Auditorias automáticas: basicamente agendar o dia da semana e horário em que a ferramenta rodará uma auditoria automática e leve para encontrar erros simples como links quebrados (erro 404).
- Auditoria aprofundada: essas auditorias eu geralmente faço uma vez por mês. Como o próprio nome já diz, o objetivo dela é encontrar problemas mais específicos. Portanto, não costumo automatizá-la de maneira genérica. Prefiro personalizá-la de acordo com o nível de complexidade com que estou lidando.
Ferramentas para auditoria de SEO técnico
Existem diversas ferramentas para se fazer auditoria de SEO Técnico, mas listei somente as que eu já utilizo e aprovo:
Google Search Console (Gratuito)
Talvez a ferramenta gratuita mais importante. Ela mostra exatamente como o Google vê seu site e quais erros ele encontrou.
PageSpeed Insights (Gratuito)
Mede a performance real e aponta o que está atrasando o carregamento das suas páginas.
Screaming Frog Spider (Gratuito/Pago)
É um crawler (rastreador) que simula o robô do Google. Excelente para encontrar links quebrados e erros de redirecionamento em massa.
Ahrefs/Semrush (Gratuito/Pago)
Plataformas completas que oferecem módulos de "Site Audit" automáticos, facilitando o monitoramento de saúde do domínio.
Como fazer uma auditoria de SEO técnico (passo a passo)
1. Verifique rastreamento e indexação
Avalie se o seu arquivo Robots.txt está configurado corretamente para permitir que os mecanismos de pesquisa acessem as páginas e arquivos do seu site.
Se o seu site possuir robots.txt, para localizá-lo e revisar as regras basta digitar no navegador:
https://seusite.com/robots.txt
Ele exibirá as regras e o sitemap.
Certifique-se de que as páginas que você quer que apareça para os buscadores estejam listadas no sitemap.
Avalie se seu site está indexado nos buscadores.
Um teste rápido para verificar se uma página está indexada no Google é inserir o comando site: no Google. Exemplo:
site:seudominio.com/
O Google retornará nos resultados da SERP se a sua página está ou não indexada.
Mas caso precise verificar várias páginas, há uma maneira mais inteligente.
Para isso, utilize a ferramenta Google Search Console. Ela não só mostrará quais páginas não foram indexadas, mas o motivo que impediu o Google de indexá-las.
2. Identifique erros técnicos
Talvez um dos problemas mais comuns que você encontrará nas auditorias são os erros 4xx, mas vamos focar no erro 404 ou comumente chamados de “links quebrados”.
O que você precisa se atentar é que links quebrados atrapalham a experiência do usuário e, consequentemente, prejudicam seu site aos olhos dos mecanismos de busca.
Basicamente, você encontrará dois tipos de erros 404, os internos e externos.
Link interno é aquele que pertence ao seu domínio, ou seja, você colocou um link no seu site para que o usuário consiga acessar outra página do seu site.
Link externo é quando você aponta para um domínio externo, ou seja, outro site.
IMPORTANTE: Embora subdomínios (blog.seusite.com) pertençam ao mesmo domínio (seusite.com), o Google pode tratá-los como propriedades separadas dependendo da estrutura e da relação entre eles. Nesse caso, a linkagem entre eles é considerada externa.
Num cenário ideal, seu site não deve ter links quebrados.
Então, certifique-se de corrigi-los ou direcioná-los para páginas semelhantes.
Os redirecionamentos também são importantes para manter o tráfego proveniente de outros sites que linkam para suas páginas.
Portanto, quando uma URL deixa de existir, se for de uma página importante, o ideal é fazer o redirecionamento 301 para uma página de semelhança temática.
Atenção: Evite configurar redirecionamentos de páginas quebradas para a home. Se a página quebrada não é relevante ou não tem uma página substituta, deixe sem redirecionamento. Mas garanta a existência de uma página 404 otimizada.
3. Análise de versões duplicadas
Garanta que o Google enxergue apenas uma versão do seu site. Verifique se as versões http, https, www. e sem www direcionam para uma única URL principal. Isso evita a diluição da autoridade.
HTTP (HyperText Transfer Protocol): é o protocolo básico de transferência de dados na web. O que permite a comunicação entre o navegador e o servidor, mas os dados são enviados em texto simples. Isso significa que a segurança é menor.
HTTPS (HyperText Transfer Protocol Secure): É a versão segura do HTTP. Ele utiliza um certificado de segurança (SSL/TLS) para criptografar os dados antes do envio. Isso protege informações sensíveis e é um fator oficial de ranqueamento do Google.
Já as versões www e sem www é mais uma preferência. Entretanto, é ideal que se escolha um como oficial e redirecionar o outro para evitar conteúdo duplicado.
4. Avalie performance e velocidade
O tempo de carregamento é um dos fatores mais críticos quando se trata de performance.
- Sites rápidos carregam em até 2,5 segundos, e tendem a ter conversões melhores
- Sites que carregam entre 2,5 e 4 segundos já começam a perder performance
- Sites lentos, acima de 4 segundos começam a perder posição no ranking da SERP
O PageSpeed Insights definitivamente é uma boa ferramenta para analisar a performance de páginas isoladas.
Basta inserir a URL da página, e ele dará uma nota de performance, acessibilidade, práticas recomendadas e de SEO da sua página na versão desktop e no mobile.
Além disso, o relatório de melhorias mostra exatamente qual o problema que está prejudicando a performance da página.
Como essa ferramenta só permite auditar uma página por vez, você pode conectá-la ao Screaming Frog Spider via API.
Assim você conseguirá auditar um número maior de páginas, mas devo salientar que a curva de aprendizagem do screaming frog é maior e menos intuitivo que o PageSpeed Insights, o que pode gerar estranheza.
Os principais vilões do tempo de carregamento e performance:
- Hospedagem de baixa qualidade
- Falta de cache
- Imagens não otimizadas
- JavaScript e CSS que barram a exibição do conteúdo
- Excessos de plugins e scripts de terceiros
- Fontes Não Otimizadas
5. Core Web Vitals
As métricas Core Web Vitals medem a experiência real do usuário em velocidade de carregamento, interatividade e estabilidade visual.
São três métricas que você deve se atentar:
- LCP (Largest Contentful Paint): Mede o tempo para carregar o maior elemento da página, geralmente um banner, vídeo ou um grande bloco de texto. O ideal, como mencionado, é que sua página carregue em até 2,5 segundos.
- CLS (Cumulative Layout Shift): Mede mudanças inesperadas no layout da página enquanto carrega. Sabe quando você clicar em um botão e, de repente, um anúncio carrega em cima e você clica no lugar errado? Isso é um CLS alto.
- INP (Interaction to Next Paint): Mede o atraso de todas as interações (cliques, toques) que o usuário faz na página. Ela avalia quanto tempo o site leva para dar um "feedback visual" após um comando.
Ferramentas como PageSpeed Insights, Search Console e Screaming Frog são indispensáveis para diagnosticar e monitorar o desempenho dessas métricas em tempo real.
6. Usabilidade mobile
Hoje mais da metade do tráfego na internet vem de smartphones. Portanto, se certifique de que o site seja responsivo, ou seja, funcione bem em diferentes tamanhos de tela e evite os principais erros como:
- Quebra de Layout: Surgimento de barras de rolagem horizontal, imagens e vídeos que "vazam" da tela, textos minúsculos e elementos sobrepostos.
- Navegação Falha: Menus fantasmas que somem no smartphone, ícones sem contraste e botões de fechar pop-ups que ficam fora da área visível.
- Interação Impossível: Menus que dependem do mouse (hover), botões colados que causam cliques errados e formulários rígidos demais para o teclado mobile.
- Falta de Informação: Esconder funções vitais (login/carrinho) para "limpar" o visual ou omitir links importantes no rodapé.
Ferramentas como PageSpeed Insights serão seus aliados nessa etapa.
Mas não fique 100% dependente de ferramentas, teste a página no seu smartphone ou use o próprio devtools, que já vem no seu navegador, para que você possa testar a experiência como um usuário mobile.
Para acessar o devtools, basta clicar com o botão direito do mouse e selecionar “inspecionar”, em seguida clique no “toggle device toolbar” para ver como sua página ficará em dispositivos móveis.
7. Estrutura do site
URLs
Certifique-se que as páginas do seu site possuam uma estrutura URL amigável.
Exemplo de estrutura URL otimizada:
https://www.seusite.com.br/auditoria-seo-tecnico/
Exemplos de estrutura URL não otimizada:
URLs com Parâmetros Dinâmicos
https://www.seusite.com.br/p?id=94521&cat=4&sort=alpha
São geradas automaticamente por sistemas antigos ou mal configurados. Perceba que ela não possui palavras-chave.
URLs com Caracteres Especiais e Letras Maiúsculas
https://www.seusite.com.br/Pagina_De%20SEO/
O uso de espaços, underline (_) ou letras maiúsculas pode causar erros de interpretação em alguns servidores e dificultar a leitura.
URLs Longas e Sem Hierarquia
https://www.seusite.com.br/blog/categoria-marketing/2024/05/12/post-01/como-fazer-uma-auditoria-de-seo-tecnico-completa-passo-a-passo
URLs que repetem categorias ou incluem datas desnecessárias, tornando o endereço grande demais.
Por que evitar URLs não otimizadas?
- CTR baixo: As pessoas hesitam em clicar em links que parecem "códigos".
- Dificuldade de Rastreio: URLs com muitos parâmetros podem gerar problemas de conteúdo duplicado.
- Semântica: O Google usa as palavras da URL como um dos sinais para entender o tema da página.
Arquitetura
A arquitetura do site determina como as páginas foram organizadas e como elas se conectam.
O Googlebot navega pelas páginas através da linkagem. Se a arquitetura for confusa, o robô deixa de indexar conteúdos importantes.
A regra de ouro aqui é garantir que as páginas mais importantes do seu site possam ser acessadas em até 3 cliques a partir da página inicial (Home). Caso contrário, há uma grande chance do Google não dar a devida autoridade a página deixando de rastreá-la com frequência.
Ao auditar o site, verifique se há páginas órfãs. São as páginas que não recebem links de nenhuma outra página interna do seu site. Portanto, sem links internos apontando para a página o Google terá mais dificuldade para descobri-la.
Para evitar páginas órfãs, além de realizar uma boa linkagem interna, é essencial agrupar suas páginas em silos.
Ou seja, ao invés de todas as páginas do site estarem “soltas”, crie pastas temáticas.
Exemplo:
Silo de Celulares:
site.com/celulares/melhores-iphones
site.com/celulares/android-vs-ios
Silo de Notebooks:
site.com/notebooks/melhores-macbooks
site.com/notebooks/notebooks-gamers
Dessa maneira, é mais fácil garantir que as páginas do mesmo tema tenham uma linkagem entre si. Tendo em vista que o usuário que consome o artigo “android vs iphone”, pode se interessar em acessar a página “melhores iphones".
8. Dados estruturados
Os dados estruturados (Schema) facilitam o entendimento e significado do conteúdo da página para o Google e as IAs, favorecendo o aparecimento de rich snippets na serp e de respostas mais assertivas a respeito da marca e do site.
Se o seu site ainda não possui dados estruturados, eu recomendo fortemente que você comece a utilizá-los. Caso você já possua, auditá-los não é uma tarefa dificil.
Como Auditar em 3 Passos:
- Diagnóstico em Massa: Use o Screaming Frog para identificar páginas sem marcação ou com erros globais.
- Validação de Código: Use o Schema Markup Validator para garantir que a sintaxe técnica está correta.
- Elegibilidade Visual: Use o Teste de Resultados Ricos do Google para ver se o site está pronto para exibir elementos visuais na busca.
O que não pode faltar:
- JSON-LD: Priorize este formato por ser o favorito do Google.
- Fidelidade: O que está no código deve ser idêntico ao que o usuário vê na tela.
- Saúde no Search Console: Monitore a aba "Melhorias" para corrigir erros que surgem com o tempo.
O que fazer após a auditoria?
Identificar os erros na auditoria é a parte mais fácil. Determinar o que é prioridade e como corrigir costuma ser a parte mais difícil.
Mas se seguir essas quatro etapas abaixo, tenho certeza que terá mais clareza de como prosseguir:
1. Priorizar Correções:
Nem todo erro técnico tem o mesmo peso. Tente classificar as tarefas de correções com base no esforço e no impacto no Ranking.
Prioridade Alta: Problemas que travam a indexação ou destroem a experiência (ex: consertar o arquivo robots.txt, otimizar imagens gigantes e corrigir erros críticos de LCP).
Prioridade Média: Ajustes de arquitetura, criação de silos e implementação de Dados Estruturados.
Prioridade Baixa: Ajustes estéticos ou em páginas que não geram conversão/tráfego.
2. Delegar
Se você mesmo cuida do seu próprio site, é bem provável que terá que fazer tudo sozinho. Caso tenha uma equipe, divida as tarefas para as pessoas certas:
Desenvolvedor/TI: Configurações de servidor, cache, minificação de código e correção de protocolos (HTTPS).
Designer/UX: Redimensionamento de imagens, ajuste de fontes e melhoria da estabilidade visual (CLS).
Conteúdo/SEO: Ajuste de URLs, linkagem interna (silos), alt-text e preenchimento de metadados.
3. Implementação
Esta é a fase de "mão na massa". A dica aqui é não mudar tudo de uma vez.
Faça as alterações em blocos. Se você mudar o servidor, o código e as imagens no mesmo dia e o site cair (ou o ranking subir), você não saberá qual ação foi a responsável.
Dica Técnica: Sempre use um ambiente de "Staging" (teste) antes de subir as correções mais complexas para o site oficial (Produção). Assim, caso algo saia do planejado, não afetará o site que está no ar.
4. Monitoramento
O SEO técnico nunca termina. Após implementar, você precisa validar se o Google percebeu a melhoria.
Ferramentas: Abra a aba “Core Web Vitals” do Search Console para ver se as páginas estão saindo do "Ruim" para o "Bom".
Rode uma nova auditoria no Screaming Frog, SemRush ou Ahrefs para ver se os erros apontados pela ferramenta foram corrigidos.
Tenha paciência, o Google pode levar de alguns dias a algumas semanas para rastrear o site novamente e atualizar as métricas de performance nos resultados de busca. Mas você pode solicitar ao Google através do Search Console que rastreie novamente a página corrigida.
O segredo de uma auditoria bem sucedida não está em encontrar a melhor ferramenta, mas em conseguir transformar o resultado da auditoria em tarefas práticas e acompanhar o progresso das correções.
Com que frequência repetir a auditoria?
Depende!
- Projetos pequenos: a cada 3 meses
- Blogs em crescimento: mensal
- E-commerce / SaaS: contínuo
Mas pode variar de acordo com cada site e com os problemas que você está lidando.
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